03/11/2023
03/11/2023
Vamos abordar o comportamento de mentir e esconder coisas sob uma perspectiva psicológica profissional.
A mentira é um comportamento intencional no qual alguém distorce, omite ou manipula a verdade com o objetivo de:
Evitar consequências negativas (medo ou punição);
Obter vantagem (manipulação, autopromoção);
Manter a autoimagem ou evitar vergonha;
Proteger sentimentos (do próprio ou do outro);
Manter controle sobre uma situação.
Nem toda mentira tem a mesma motivação — e isso é crucial para a análise clínica.
Esconder informações pode ser uma forma de mentira por omissão. Nem sempre é malicioso — pode estar ligado a:
Falta de confiança;
Sentimentos de insegurança;
Dificuldade em lidar com confrontos;
Trauma ou histórico de punição por se expor.
É um mecanismo de defesa psicológico comum, muitas vezes inconsciente.
Pessoas que desenvolvem o hábito crônico de mentir ou esconder costumam apresentar traços ou contextos como:
Evitam contar a verdade para não serem rejeitados ou punidos.
Mentem para parecer melhores, mais confiáveis ou mais fortes.
Acreditam que a verdade sobre si não é aceitável.
Escondem sentimentos, erros ou vulnerabilidades.
Crianças punidas por sinceridade aprendem a esconder para se proteger.
Pais muito autoritários ou instáveis favorecem esse tipo de defesa.
Contextos abusivos, controladores, ou que não permitem erro geram mentiras como mecanismo de sobrevivência.
Transtorno de personalidade antissocial ou borderline (mentiras impulsivas ou manipulativas).
Mitomania: compulsão patológica por mentir (rara).
O hábito constante de mentir ou esconder:
Corrói a confiança;
Aumenta o isolamento emocional;
Alimenta a culpa e vergonha internas;
Leva a relacionamentos superficiais ou instáveis;
Mantém o indivíduo longe de conexões genuínas.
Se você ou alguém que você conhece tem esse hábito, alguns passos podem ajudar:
Psicoterapia individual – especialmente com abordagem cognitivo-comportamental, focada em identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos.
Trabalho com a autoestima – para reconstruir a sensação de que a verdade é válida.
Diálogo em ambientes seguros – onde a verdade possa ser dita sem punição.
Reconhecimento do padrão – tomar consciência dos gatilhos.
Trabalho com culpa e perdão – aprender a lidar com os efeitos das mentiras e reconstruir relações.